Adoramos-vos, ó Cristo, e vos bendizemos
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Simão de Cirene ajuda Jesus a carregar a cruz
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mt 22,39)
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
"Ao saírem, encontraram um homem chamado Simão de Cirene, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus." (Mt 27,32)
São José contempla com profunda emoção a figura de Simão de Cirene. Um estrangeiro, um homem comum que voltava do campo sem nenhum plano de se envolver naquele drama doloroso das ruas de Jerusalém, é escolhido pela Providência para compartilhar o peso da cruz com o Filho de Deus. Ninguém escolhe sua cruz — ela vem ao encontro do caminhante. Simão foi obrigado pelos soldados, mas na sua aceitação forçada reside a semente de uma transformação que a tradição cristã afirma ter mudado para sempre a sua vida e a de seus filhos.
São José reconhece em Simão algo de si mesmo. Ele também foi chamado a uma missão que não pediu, que não planejou, que não compreendia plenamente. Quando o anjo lhe apareceu em sonho, José era um carpinteiro de Nazaré com planos simples e uma vida ordenada. De repente, foi convocado a ser pai virginal do Filho de Deus, esposo da Imaculada, guardião do maior mistério da história humana. Também ele poderia ter recuado. Também ele poderia ter calculado os custos. Em vez disso, acordou e fez o que o anjo lhe ordenou — e essa obediência pronta transformou não apenas sua vida, mas a história da salvação.
Toda caridade prestada a outro ser humano é caridade prestada a Cristo. Esta verdade, revelada por Jesus em Mateus 25, encontra em Simão de Cirene sua expressão mais literal e mais tocante. Ao tocar a cruz de Jesus, ao sentir seu peso, ao caminhar ao lado do Condenado, Simão teve o privilégio de estar mais próximo do coração de Deus do que qualquer sumo sacerdote ou doutor da lei naquele dia.
São José, o grande auxiliador que passou a vida servindo em silêncio, vê em Simão um irmão. Aquele que dedicou seus braços fortes à proteção de Maria e Jesus, que nunca mediu esforços para garantir o bem-estar da Sagrada Família, reconhece na atitude de Simão o mesmo espírito de serviço generoso que define o verdadeiro discípulo de Cristo. A caridade não pergunta pela conveniência — ela simplesmente age.
Ao nosso redor há muitos que carregam cruzes pesadas demais. São os doentes sem visita, os idosos abandonados, os jovens perdidos, os pobres esquecidos, os deprimidos que sorriem para esconder a dor. São José, que foi o grande Simão de Cirene da Sagrada Família — carregando silenciosamente os pesos que os outros não viam — nos convida a abrir os olhos e os braços.
Não espere que alguém o force, como os soldados forçaram Simão. Ofereça-se voluntariamente para compartilhar a cruz dos seus irmãos. Cada ato de caridade concreta, cada vez que você se abaixa para ajudar quem está prostrado, você está tocando a própria cruz de Cristo. E quem toca a cruz de Cristo é tocado por Ele para sempre.
Ó Jesus, que aceitastes a ajuda de Simão e tornastes todo ato de caridade humana participação em vossa cruz redentora, abri nossos olhos para reconhecer vosso rosto nos irmãos que sofrem ao nosso redor. São José, vós que fostes o maior servidor da Sagrada Família, tornai-nos servidores generosos de todos os que necessitam de ajuda.
Que jamais passemos indiferentes diante do sofrimento alheio. Que tenhamos coragem de parar, de ajoelhar, de ajudar — mesmo quando isso nos custar tempo, conforto ou reputação. Ensinai-nos, ó patriarca, que a verdadeira grandeza está no serviço humilde e silencioso.
São José, modelo de caridade operosa, rogai por nós! Amém.
Hoje farei um ato concreto de caridade por alguém que está sofrendo ou necessitado, sendo para essa pessoa um Simão de Cirene — ajudando a carregar um fardo que ela não consegue carregar sozinha.
V. Tende piedade de nós, Senhor.
R. Tende piedade de nós.