Adoramos-vos, ó Cristo, e vos bendizemos
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
Jesus é sepultado
"Quem crê em mim, ainda que morra, viverá" (Jo 11,25)
R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.
"No lugar onde Jesus fora crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, onde ninguém ainda tinha sido sepultado. Ali, pois, porque era o dia da Preparação dos judeus e o sepulcro estava perto, puseram Jesus." (Jo 19,41-42)
O silêncio desceu sobre o Calvário. Depois da tempestade da Paixão — os gritos da multidão, o martelar dos cravos, as palavras finais do alto da cruz — sobrevém um silêncio que parece definitivo. Jesus é depositado no sepulcro novo de José de Arimateia, e uma pedra pesada é rolada sobre a entrada. Para os olhos humanos, é o fim. Para os olhos da fé, é apenas um intervalo — o silêncio grávido de ressurreição que antecede a aurora do terceiro dia. São José, que agora contempla estes mistérios com os olhos da eternidade, sabe o que acontecerá. Mas medita sobre este silêncio como sobre um mistério precioso.
São José recorda outro momento em que buscou abrigo para Jesus e não encontrou. Em Belém, percorreu de porta em porta sem que ninguém abrisse espaço para o Filho de Deus que estava para nascer. No fim, foi uma gruta pobre que acolheu o Rei do Universo. Agora, é um sepulcro emprestado que acolhe o Redentor da humanidade. Há nessas duas imagens — a manjedoura e o sepulcro — um fio de continuidade: Jesus sempre veio pedir espaço ao coração humano, e o mundo frequentemente não tinha lugar para Ele. Mas onde o mundo fecha a porta, a Providência abre uma gruta, um jardim, um coração simples.
A tradição piadosa afirma que o próprio corpo de São José foi assumido ao céu, à semelhança de Maria. Seu sepulcro, se existiu, também ficou vazio — sinal de que aquele que serviu o Ressuscitado com tanta fidelidade foi introduzido na glória antes do fim dos tempos. Há uma correspondência misteriosa entre o sepulcro de Jesus e o de José: ambos "vazios", ambos sinais de uma vitória que a morte não pôde conter. A semente deve morrer para dar fruto — e tanto Jesus quanto José, a semente e seu guardião, floresceram para além da morte.
Esta última estação não é um fim, mas um limiar. O sepultamento de Jesus é a noite que antecede a aurora mais gloriosa da história. São José, que ao longo de toda a Via Sacra nos acompanhou como mestre de meditação e intercessor poderoso, nos deixa agora em pé diante do sepulcro fechado — mas com a certeza de fé que ele mesmo viveu durante toda a sua vida: Deus não abandona aqueles que n'Ele confiam. A pedra rolada sobre o sepulcro não é a última palavra. A última palavra é "Ressuscitou!"
Chegamos ao fim da Via Sacra. Percorremos com Jesus e com São José o caminho do Calvário, station por estação, dor por dor, queda por queda. Mas esta Via Sacra não é uma contemplação do fracasso — é uma contemplação do amor mais poderoso que existe, um amor que vence a morte. O sepulcro fechado não é o ponto final desta história.
São José, homem de esperança inabalável, nos convida a sair desta Via Sacra não com o coração pesado pela tristeza, mas com o coração inflamado pela esperança. Tudo o que contemplamos — o sofrimento, as quedas, a morte — foi o preço do nosso resgate. E o resgate foi pago integralmente. A conta foi quitada. O amor venceu. Que esta certeza encha nossa vida de gratidão, de alegria e de determinação de viver de modo digno do preço que foi pago por nós.
Ó Jesus, que aceitastes ser sepultado como qualquer homem mortal para que nós, mortais, participemos de vossa vida imortal — recebei a nossa gratidão transbordante. Esta Via Sacra que acabamos de rezar é um ato de amor imperfeito diante do vosso amor perfeito. Mas é o que temos a oferecer, e o oferecemos de todo coração.
São José, que acompanhaste Jesus do berço ao sepulcro e o precedeste na glória da ressurreição, intercedei por nós para que vivamos com a esperança da ressurreição gravada em nossos corações. Que cada cruz da vida seja vista à luz do sepulcro vazio. Que cada morte seja vista à luz da vida eterna. Que cada fim seja visto como o início de algo que não terá fim.
São José, guia seguro no caminho para o Pai, rogai por nós agora e na hora de nossa morte! Que ressuscitemos com Cristo para a vida eterna. Amém.
Encerro esta Via Sacra com um ato de esperança: confio na misericórdia de Deus e na promessa da ressurreição. Que a contemplação deste mistério transforme minha vida cotidiana, levando-me a viver com mais amor, mais fé e mais esperança — à imagem de São José, que viveu e morreu nos braços de Jesus e Maria.
V. Tende piedade de nós, Senhor.
R. Tende piedade de nós.